A Islândia precisa encontrar novas formas de fortalecer sua segurança depois que os eleitores rejeitaram a retomada das negociações para adesão à União Europeia, afirmou a ministra das Relações Exteriores do país, Thorgerdur Gunnarsdottir, à Reuters nesta segunda-feira (31).

As declarações ocorreram após os islandeses rejeitarem, no sábado (29), a proposta do governo de reabrir as negociações para a entrada do país na UE.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou repetidamente querer adquirir a vizinha Groenlândia e colocou em dúvida o compromisso de Washington com a Otan, intensificou o debate sobre segurança na Islândia nos últimos meses.

“Não votamos para afastar a situação geopolítica, ela continua lá e teremos que encontrar outras formas de aumentar nossa segurança”, disse Gunnarsdottir à Reuters no Parlamento, após uma reunião com o comitê de relações exteriores.

Ao rejeitar as negociações para a adesão à UE, os eleitores também contrariaram os alertas do governo de que a entrada no bloco poderia reforçar a segurança do país.

“A UE ainda é um parceiro muito importante para a Islândia, e precisamos fortalecer ainda mais nossa cooperação. Vamos analisar acordos bilaterais; já temos esses acordos com a Finlândia e a Noruega”, afirmou a ministra, citando também Japão e Canadá como parceiros importantes.

A Islândia, uma ilha do Ártico com 400 mil habitantes, é membro da Otan, mas não possui um exército permanente. Sua defesa é baseada em um acordo bilateral de defesa com os Estados Unidos, firmado em 1951, e na participação na aliança militar.

No referendo de sábado, 52,8% dos votos foram contrários à proposta do governo de realizar negociações com Bruxelas, enquanto 47,2% foram favoráveis. A participação foi de 82,5% dos eleitores aptos a votar.

A Islândia faz parte do Espaço Econômico Europeu desde 1994, acordo com a UE que garante ao país acesso ao mercado único europeu, mas sem que seja membro pleno do bloco.

“Teremos que fortalecer a cooperação dentro do EEE. Um resultado muito positivo do referendo é que todos os partidos islandeses estão agora unidos em torno do acordo do EEE”, disse Gunnarsdottir.